Arquivos de Convidados

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Dançarina do Ventre

Naja ondulante
serpenteia,
serpenteia…
Véus, cabelos, panos.
Naja ondulante
serpenteia,
serpenteia…
Braços, anéis, linguas-de-fogo.
Naja ondulante
serpenteia,
serpenteia…
Centro, âmago, ventre.
Naja ondulante
serpenteia,
serpenteia…
Que hipnótico convite exala sua sinuosa dança?
Naja ondulante
que
serpenteia,
serpenteia…

Nurisilva Dias Fernandez

Nurisilva Dias Fernandez Nascida em São Paulo – Brasil. Bacharel em letras pela USP. Professora de língua portuguesa e língua francesa. Autora do livro de contos “A teia do grande sonho”. Tem participação em inúmeros antologias poéticas. Faz parte do Departamento Social do Movimento POéticoem SP. É Delegada do Movimento POético em São Paulo na Zona Leste. E mãe da bailarina Malak Alaoani. Esse poema é parte do livro: “Antologia em Versos do Movimento Poético em São Paulo v.12″.

 


Haiat 1

A cigana que veio de longe

A tarde era linda e a estrada era longa.
Em meio ao caminho a natureza era exuberante: árvores frondosas e campos floridos.
Com passos largos, pés descalços, caminhava a longínqua cigana.
O silêncio era imenso.
O vento acariciava seu rosto enquanto roubava-lhe os lenços coloridos, brincando com suas saias, longas e esvoaçantes.
Suas pulseiras quinquilhavam ao sol.
A longínqua caminhava com seu olhar distante e sonhador. De quando, passava as mãos pelos cabelos pretos e longos, mostrando cansaço.
A tarde já se ia, dando lugar ao cair da noite, que se ofuscava com os últimos raios de sol, mostrando assim a mais linda lua cheia.
A lua dominava o escuro da noite serenada.
O caminho lhe parecia estar proporcionando algo com fragmentos de amor, paz e muita alegria, apesar da distância.
O vento trazia o perfume das flores do campo e da tão falada Dama da Noite.
Quando mais tardou, ouviu-se ao longe violinos, bandolins e vozes cantando.
Era o clã todo, iluminado e colorido, que para se purificarem, dançavam em volta de uma grande fogueira.
A longínqua cigana foi se chegando. O cansaço a dominava.
Sentou-se junto a um tronco de uma árvore e serviu-se do vinho das bruxas que retirou de um grande caldeirão, que aromatizava o ar.
Seus olhos brilhavam, as labaredas aqueciam seu corpo e douravam seu rosto.
Ali, sentada, a longínqua estava onde seu coração pulsava de alegria e sua alma dançava.

Dançava.
Dançava.

Haiat Madalene

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