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Haiat 1

A cigana que veio de longe

A tarde era linda e a estrada era longa.
Em meio ao caminho a natureza era exuberante: árvores frondosas e campos floridos.
Com passos largos, pés descalços, caminhava a longínqua cigana.
O silêncio era imenso.
O vento acariciava seu rosto enquanto roubava-lhe os lenços coloridos, brincando com suas saias, longas e esvoaçantes.
Suas pulseiras quinquilhavam ao sol.
A longínqua caminhava com seu olhar distante e sonhador. De quando, passava as mãos pelos cabelos pretos e longos, mostrando cansaço.
A tarde já se ia, dando lugar ao cair da noite, que se ofuscava com os últimos raios de sol, mostrando assim a mais linda lua cheia.
A lua dominava o escuro da noite serenada.
O caminho lhe parecia estar proporcionando algo com fragmentos de amor, paz e muita alegria, apesar da distância.
O vento trazia o perfume das flores do campo e da tão falada Dama da Noite.
Quando mais tardou, ouviu-se ao longe violinos, bandolins e vozes cantando.
Era o clã todo, iluminado e colorido, que para se purificarem, dançavam em volta de uma grande fogueira.
A longínqua cigana foi se chegando. O cansaço a dominava.
Sentou-se junto a um tronco de uma árvore e serviu-se do vinho das bruxas que retirou de um grande caldeirão, que aromatizava o ar.
Seus olhos brilhavam, as labaredas aqueciam seu corpo e douravam seu rosto.
Ali, sentada, a longínqua estava onde seu coração pulsava de alegria e sua alma dançava.

Dançava.
Dançava.

Haiat Madalene

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