Arquivos de Mulheres


texto matrioshka

Uma Matrioshka e um novo olhar…

Certa vez, ganhei uma bonequinha Matrioshka de uma amiga que voltava da Rússia.
E minha surpresa foi que, ao abri-la, havia outra bonequinha menor dentro da primeira, e outra menor dentro da segunda e mais outra… no total eram seis bonequinhas diminuindo, umas dentro das outras, até se tornarem uma só.
Para mim foi como se na primeira, que é a maior de todas, coubessem várias outras mulheres, ou idades ou experiências dentro dela.
Pensei então que cada uma bonequinha poderia significar uma fase da vida de uma mesma mulher. A primeira e velhice, a segunda a idade madura… até a última que seria a criança.
Dizem que temos uma criança dentro de nós.
Então, pode ser que tenhamos também a adolescente, a mulher inexperiente, a mulher madura… a mulher velha seria apenas uma delas…
Enfim, olhando para uma conhecida de muitos anos que hoje desfruta de sua velhice, percebi que a mulher velha é apenas a que está na superfície. .. essa é a que vemos de cara, mas se olharmos novamente conseguimos ver que lá dentro habita também uma criança, uma jovem adolescente sonhadora, uma mulher recém casada…
Percebi que falar com uma senhora como se ela tivesse aquela idade durante toda a sua vida seria um erro. Seria apenas enxergar a primeira bonequinha e ignorar a existência de todas as outras.
Percebi também que é muito interessante quando reconheço na senhora a bonequinha que é igual a minha desse momento.
De repente tudo muda e aquela senhora é também da minha idade.
Desejos, conflitos, anseios, escolhas, frustrações… tudo que parecia tão distante agora se parece.
Foi como olhar e enxergar melhor, como se não fosse mais superficial.
O título de senhora hoje para mim é apenas um ato tradicional de educação. Quando olho, posso enxergar alguém assim como eu.
Posso pedir conselhos, mas também posso falar das coisas, da vida, do trabalho, confissões, trocar figurinhas…
E talvez, até brincar de me reconhecer nela, enxergar como eu fui ou como serei um dia.
Espero acumular muitas bonequinhas ainda. Guardá-las com todo cuidado. E, um dia, feliz, chegar e conhecer a última… bem grande…

Nesrine B.

O Valor da Inversão

Postado em 19/05/2014
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texto O valor da inversão

O Valor da Inversão

Não é apenas o movimento mais elaborado que define a competência.
Não é a ausência de repetição que resulta na dança surpreendente.
Não é o valor do traje, nem a quantidade de cristais e strass que sinaliza a boa dançarina.
Não é o abandono do simples que trará a sofisticação.
Não é a articulação que produz a emoção.
Não é a beleza que garante o sucesso.
Não é o sucesso que dá a certeza de ter-se encontrado a realização.
Às vezes, o simples é difícil,
Ganha-se quando se perde,
Menos é mais e
a realização está até mesmo antes da conquista.

Nesrine Bellydance

Espanhol:

El valor de la inversión no es solamente la propuesta más elaborada que define la competencia.
No es la ausencia de repetición que se traduce en danza increíble.
No es el valor de los disfraces, no la cantidad de cristales y diamantes de imitación que señala el buen bailarín.
No es el abandono de simple que traerá sofisticación.
No es la articulación que produce emoción.
No es la belleza que asegura el éxito.
No es el éxito que seguro que le da haber conseguido el logro.
A veces, simple es difícil, ganarás cuando pierdes, menos es más y el logro es incluso antes de la conquista.

Tradução cedida gentilmente por Samira Stella.


Haiat 1

A cigana que veio de longe

A tarde era linda e a estrada era longa.
Em meio ao caminho a natureza era exuberante: árvores frondosas e campos floridos.
Com passos largos, pés descalços, caminhava a longínqua cigana.
O silêncio era imenso.
O vento acariciava seu rosto enquanto roubava-lhe os lenços coloridos, brincando com suas saias, longas e esvoaçantes.
Suas pulseiras quinquilhavam ao sol.
A longínqua caminhava com seu olhar distante e sonhador. De quando, passava as mãos pelos cabelos pretos e longos, mostrando cansaço.
A tarde já se ia, dando lugar ao cair da noite, que se ofuscava com os últimos raios de sol, mostrando assim a mais linda lua cheia.
A lua dominava o escuro da noite serenada.
O caminho lhe parecia estar proporcionando algo com fragmentos de amor, paz e muita alegria, apesar da distância.
O vento trazia o perfume das flores do campo e da tão falada Dama da Noite.
Quando mais tardou, ouviu-se ao longe violinos, bandolins e vozes cantando.
Era o clã todo, iluminado e colorido, que para se purificarem, dançavam em volta de uma grande fogueira.
A longínqua cigana foi se chegando. O cansaço a dominava.
Sentou-se junto a um tronco de uma árvore e serviu-se do vinho das bruxas que retirou de um grande caldeirão, que aromatizava o ar.
Seus olhos brilhavam, as labaredas aqueciam seu corpo e douravam seu rosto.
Ali, sentada, a longínqua estava onde seu coração pulsava de alegria e sua alma dançava.

Dançava.
Dançava.

Haiat Madalene

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