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Texto essa música é um clássico red final
Na dança do ventre, música clássica é um termo ainda muito utilizado em nosso país para se referir às músicas que possuem uma estrutura muito definida e são usadas para apresentações de dança do ventre.
Seguem alguns termos que costumo usar para identificar essas estruturas:
Introdução
Chamada da bailarina
Entrada da bailarina
Ritmo de transição
Desenvolvimento
Momento inusitado
Finalização
Saída da bailarina
Usei alguns termos que conheço, mas você pode conhecê-los com outros nomes ou uma divisão diferente.
Não existe a obrigação de se ter todos esses elementos em todas as músicas. O autor, ao fazer sua composição, tem a liberdade de variar esses elementos de acordo com a sua presença e tempo de duração. Mas, no geral, as músicas clássicas, ou misancene (outro termo usado para se referir a essas músicas), possuem a maioria dessas estruturas bem definidas.
Porém, a palavra “clássico” é amplamente disseminada na música mundial para compor termos com outros significados, como:

  • Música clássica, que se refere à música erudita: “músicas produzidas ou enraizadas nas tradições da música secular e litúrgicaocidental, que abrange um período amplo que vai aproximadamente do século IX até o presente. São músicas que são fruto da erudição, e não das práticas folclóricas e populares. O termo é aplicado a toda uma variedade de músicas de diferentes culturas, e é usado para indicar qualquer música que não pertença às tradições folclóricas ou populares.” Segundo Wikepedia.
  • Clássicos da música, que faz menção a músicas consagradas pelo tempo e pela audiência. Como clássicos da MPB, aqui no Brasil ou os Clássicos do Rock!

Assim, quando usamos esse termo para classificar alguma música árabe, temos que tomar cuidado!
Um clássico da música árabe pode não ser uma música clássica! Um bom exemplo são algumas músicas de Om Kunthum, cantora mais que consagrada no mundo árabe. Aliás, é indispensável conhecer o trabalho dela. Se pegarmos versões originais de algumas de suas composições, veremos que elas têm entre 45 e 55 minutos de duração!
São músicas feitas para serem ouvidas, sentidas e até para nos conduzirem a profundos momentos tarab (Ah! e não me refiro à dança aqui… Ui! mais um termo que dá o que falar!). E não necessariamente para serem dançadas. Mas elas podem ser dançadas também. Apesar de terem os adeptos de que Om Kuntum não se dança, outros entendem que podem-se ter grandes performances com essas obras de arte. Tanto que existem muitas adaptações dessas músicas para isso. Profissionais que adaptaram alguns trechos da música original à estrutura de música clássica, para que a bailarina possa apresentá-la num show. Essas adaptações tem o tempo mais reduzido e boa parte das estruturas que comentamos acima.
Concluindo, temos que entender se a composição que temos nas mãos é um clássico, se é clássica ou uma música clássica!
Existem até músicas clássicas da dança (que não tem a ver com as músicas clássicas eruditas) que também são clássicos da música árabe.
Pode parecer confuso. Essa é mais uma dessas situações em que só aprenderemos a lidar adquirindo experiência no assunto.
Quanto mais entrarmos em contato com informações sobre música, melhor compreenderemos onde acaba um termo e onde começa o outro.
Então o negócio é estudar!
Para dançar mais, melhor e sempre.
Bons estudos!
Venha estudar comigo!
Informações: nesrine@nesrine.com.br]]>


"Seguir o coração!" Este é o tema do Pausa desta semana.apresentação e roteiro: Nesrine Dance – Dance porque é…

Posted by Arte Ponto e Vírgula on Sexta, 20 de novembro de 2015
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No Pausa desta semana, Nesrine fala sobre a arte do improviso. apresentação e roteiro: Nesrine Dance – Dance porque é…

Posted by Arte Ponto e Vírgula on Sexta, 23 de outubro de 2015
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Registo da antropóloga Paola Klug, por Rui Sá

Standard post by carolnesrine on fevereiro 26, 2015
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Para dançar bem…

Standard post by carolnesrine on fevereiro 20, 2015
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Azul IMG_0140ok a Para dançar bem Para dançar bem, dança do ventre, é preciso ter os quadris inteligentes, criatividade e um coração. Depois do conhecimento, claro! No dia a dia movimentamos nosso corpo de maneira bem específica e repetitiva: pés, pernas, braços, mãos, cabeça… Quando caminhamos, quando sentamos, quando nos levantamos, quando amamos… A repetição faz com que os movimentos sejam aperfeiçoados, tornando nossas atividades diárias mais fáceis e rápidas. Das partes do corpo que mais movimentamos, estão os membros superiores e inferiores. Por isso temos tanta destreza com nossos pés, pernas, mãos… E os quadris seguem desenvolvendo seus papéis aparentemente coadjuvantes. Aliás temos dois quadris! Às vezes até esquecemos disso!! Diria que em nosso quotidiano temos pés pró-ativos e quadris reativos. Nesse aspecto, a dança do ventre é bem diferente! Como já conversamos outras vezes, os quadris são o coração dessa dança e guardam uma capacidade de movimentos muito maior da que exploramos diariamente. São eles que, na maior parte do tempo, mandam no movimento. Talvez por isso seja tão difícil num primeiro momento coordená-los com os pés num deslocamento na dança: os pés querem ditar a marcha da caminhada, quando deveriam deixar que os quadris o fizessem. Aí fica aquela briga! rsrsrs… Essa dança nos pede uma nova maneira de abordar a movimentação do nosso corpo: os quadris mandam e os pés é que têm que se adequar (correr atrás!) ou apenas auxiliar. Para frente, para trás, para cima, para baixo, torção, encaixe, desencaixe, com contração, sem contração… Um universo de possibilidades de movimentos com os quadris. Gosto de pensar que são peças de uma quebra-cabeça, em que cada peça tem seu encaixe compatível com mais de uma peça. Logo que vamos desvendando a capacidade de movimentação de nossos quadris, já vamos reconhecendo alguns dos mais importantes movimentos da dança, mas agora de uma maneira muito mais profunda e consciente. Oito para frente, para trás… É importante saber que a simples reprodução de um desenho não significa a posse do domínio do mesmo. Você saber executar o oito para frente, por exemplo, não significa que sabe exatamente o que está fazendo. Se não entende, não o domina. Se não o domina, sua capacidade é limitada. Então, o primeiro conselho: é preciso deixar os “quadris inteligentes”. Uma brincadeira para dizer que é preciso conhecer a capacidade de movimentação dos quadris, treinar para conseguir executar os movimentos e criar consciência de todos os detalhes para que se possa ter o domínio do passo. Além do treino físico, também é preciso saber verbalizar, mesmo de maneira simples, o que se executa. Se entende os movimentos que executa, você os domina. Se você os domina, sua capacidade é ilimitada. Então está pronta para exercitar o segundo conselho: a criatividade. Com o domínio da capacidade de seus quadris, você poderá usar as peças desse quebra-cabeças para montar o desenho que quiser, que puder ou que conseguir. Brincar aleatoriamente com essas peças é um ótimo exercício de criatividade e o começo da parte mecânica de um improviso. O conhecimento serve, entre outras muitas coisas, para nos mantermos nessa modalidade: a dança do ventre. É o que nos permite criar sem desestruturar o conceito original. E também para nos mostrar até onde podemos ir, mudar, ultrapassar as regras e quando é a hora de voltar. Depois é seguir o coração. Quem sou eu para dizer como cada um deve seguir o seu… Então, aí estão minhas sugestões: conhecimento, quadris inteligentes, criatividade e um coração. Fórmulas mágicas? Digo, prontas? Ah, que falta de criatividade… A criatividade é para todas!!! Exercite-a assim como o domínio dos seu quadris. E seu bom senso também. Não tem erro. E… Dance! Porque é bom. Abç, Nesrine ]]>

A sensível arte de se ler um texto

Standard post by carolnesrine on outubro 8, 2014
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Texto a sesível arte ler texto Aprendi que para eu ler um texto tenho que esvaziar-me. Assim como quando vou assistir a uma aula de dança. Textos geralmente possuem um título que já nos remete à várias ideias e portanto a criar expectativas. Aprendi que essas expectativas podem cegar-me como leitora. As mais diversas delas podem surgir: com relação a como o assunto foi abordado; qual ou quais pontos de vista estão no texto; se é polêmico ou não… O mais importante é que essas expectativas geralmente estão relacionadas a alguma experiência que passamos e à informações que obtivemos anteriormente. Mesmo que ainda não conheçamos o tema, existe uma certa tendência de sempre procurarmos pontos que nos são familiares para nos identificarmos com ele. O problema é quando essa expectativa é tão forte que acaba nos induzindo a concluir ou distorcer coisas que não estão representadas no texto em questão. Podemos não conseguir interpretá-lo justamente porque não demos “ouvidos” a ele. É como duas amigas conversando: uma está tentando contar algum causo e a outra já está prevendo o que ela vai contar. E mais! Já está também articulando o conselho que vai dar! Não tem como essa amiga compreender o que a outra está tentando dizer… Ela não está ouvindo… Claro que temos que levar em conta que existem pessoas que não conseguem expressar-se claramente. Aí fica difícil de entender. Mas, tirando essa situação, a leitora é como uma ouvinte. Se ela não prestar atenção, se ela não “der ouvidos” para o que o texto está querendo dizer, talvez tire conclusões precipitadas… e até equivocadas… Quando já tivemos bastante contato com o assunto então… Nem precisamos chegar na metade do texto para já termos um montão de opiniões a respeito…rsrs… Sabemos que uma palavra pode mudar o contexto de toda uma frase. Imaginem se, durante a leitura, deixarmos passar uma frase inteira… Além do mais, um mesmo assunto pode ser abordado de vaaaaaarias maneiras. Talvez a leitora esteja entrando em contato com uma nova abordagem. Se não for cuidadosa ao lê-la… E textos irônicos?? É preciso mais sensibilidade ainda… Talvez até um pouco de astúcia. Ler para mim transformou-se num exercício de auto-conhecimento. E observar o posicionamento das pessoas perante um texto, um exercício de conhecer o outro. Ler o texto rapidamente, ler com expectativas, ler com a emoção alterada… Talvez possa prejudicar a compreensão. Como leitora aprendi que tenho que esvaziar-me para ler um texto. Já que me dispus a isso, entendo que tenho que fazer o máximo para compreendê-lo, independentemente da minha opinião. Se for opinar, o cuidado deve redobrar. Como autora de várias categorias de textos, aprendi que não posso esperar essa compreensão de todos. Porque isso tem a ver com o modo da pessoa se relacionar. E de enxergar e levar a vida.]]>

Dança genuína x dança performática

Standard post by carolnesrine on setembro 30, 2014
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4 - IMG_1674 b Dançar envolve muitas possibilidades. Podemos dançar para um grande público, para um público menor, para uma pessoa e até para nós mesmas. Podemos dançar para pessoas que nunca viram dança do ventre e também para profissionais da área. Podemos nos apresentar num grande palco, numa salinha ou em casa com a família. Graças a todas essas possibilidades, talvez a gente perceba algumas diferenças entre essas apresentações. Digo talvez porque algumas bailarinas fazem questão de dançar exatamente igual em qualquer situação que seja. Para mim, uma questão de escolha. A outra possibilidade seria fazer algumas adaptações levando em conta o local (tamanho do local da cena, se é palco ou sala etc…), público e mensagem a ser passada. O que faz com que as apresentações de uma mesma bailarina sejam distintas em vários aspectos. Apresentações mais intimistas, como por exemplo uma plateia formada por alunas e pessoas queridas, permite que a dançarina do ventre faça algumas escolhas diferentes, como dançar mais tranquilamente, envolver-se emocionalmente com seu público, pensar numa mensagem diferente da que ela costuma passar. Tudo isso por saber que aquelas pessoas que estão assistindo sua dança sabem da sua história e irão entender o que ela pretende comunicar. Em apresentações mais impessoais, como no caso de uma contratação para um show num lugar que não é ligado com dança do ventre, por exemplo, os objetivos são outros. Nem todo mundo conhece a dança e suas facetas. Então, geralmente, a bailarina tende a levar isso em conta, comportar-se e apresentar-se de maneira condizente com essa situação. É importante mantermos sempre a apresentação num nível ótimo. A ideia não é mudar o nível de profissionalismo, mas sim permitir-se usufruir de algumas condições que a apresentação nos proporciona. Digo isso para diferenciarmos as apresentações performáticas boas das performáticas ruins e “sem conteúdo”. Existem performances e performances… mas conversaremos em breve especificamente sobre isso. Atire a primeira pedra a bailarina que nunca se esforçou um pouquinho a mais numa apresentação que julgou muito importante. Ou que escolheu o figurino com mais cautela para dançar na confraternização de fim de ano de uma empresa contratante. Se pensarmos na possível origem sagrada da dança e em sua evolução para o entretenimento, como é praticada atualmente, temos um cenário que nos mostra claramente que as diferentes formas de apresentar-se fazem parte da história dessa dança. A dança que a netinha aprende com a vovó não é igual ao que se aprende no workshop de “movimentos de impacto na dança do ventre”. Assim, quando assistimos a uma apresentação mais performática ou mais descontraída pode não significar que a bailarina está equivocada. Pode ser apenas uma questão de escolha a qual ela tem possibilidade. Aí então, ao repararmos nos comentários do público, ouvimos alguns termos para diferenciar as danças: performática, fria, forte, exagerada, impactante, acolhedora, suave, genuína etc… Salvos os equívocos com relação ao profissionalismo (como por exemplo uma bailarina que dança apenas de maneira performática e sempre “sem conteúdo”), é isso mesmo que acontece. Algumas apresentações realmente utilizam uma maior gama de técnicas cênicas (impacto, por exemplo), enquanto outras são mais singelas e livres. E isso é comum. E, na minha opinião, até muito positivo. Numa apresentação longa, num palco grande e para um público da dança, pensamos na necessidade de “crescer” para ocuparmos todo o espaço do palco. Aí então buscamos recursos para isso como: variar bastante a dança para não ficar monótona, fazer movimentos grandes, usar vários acessórios, impacto, uma expressão mais intensa… segredinhos que toda bailarina tem para abrilhantar tais apresentações. Mesmo não sendo esse nosso costume. Em contrapartida, num momento em que dançamos para nós mesmas, a forma de entrega é diferente e os movimentos serão mais naturais e orgânicos. Talvez sem acessórios nenhum… sem tanto impacto… Nos identificamos e gostamos de certas bailarinas justamente por causa de suas escolhas. Refletirmos sobre suas mensagens, condutas e mudanças pode ser muito enriquecedor, pois podemos descobrir propostas que estão nas entrelinhas… Para nós que dançamos, é importante observarmos esse aspecto como público e como bailarina também. A apresentação cênica com o seu objetivo de encantar, provocar e prender a atenção da plateia tem tanto valor quanto a apresentação natural que encanta de pertinho. É importante então planejar qual ou quais as mensagens que gostaríamos de dizer para o público e quais os nossos objetivos antes da apresentação. E depois pensar em entregar-se para o momento da dança, com tudo o que temos de melhor. E quando formos espectadoras, nos abrirmos para entender o que a bailarina tem a nos dizer. E nos entregarmos a ela para que nos leve… Pode ser surpreendente.. Um grande abraço, Nesrine ]]>

Sobre nós bailarinas de DV dançarmos de maneira igual…

Standard post by carolnesrine on setembro 24, 2014
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Texto sobre as bailarinas serem iguais Olá, pessoal! Esse texto é uma reflexão sobre uma frase que vem aparecendo nos bastidores e nas plateias da nossa dança do ventre: a maioria das bailarinas dança de maneira igual. Então vamos aos fatos. Digamos que seja verdade: sim, todas as dançarinas andam dançando iguais. Quais seriam os problemas? O de que as apresentações tornam-se cansativas? O de que o espectador quer novidades a toda hora e a bailarina não tem para lhe dar? O de que caracteriza-se falta de autenticidade? Ou o de que nos tornamos menos comerciais? Acho muito importante levantarmos essas questões porque tenho a sensação de que existem muitos aspectos positivos, mas muitos negativos por trás desse tipo de comentário também… Primeiro que se estamos falando em dança do ventre, é bem aceitável que as apresentações sejam parecidas. Usamos as mesmas referências.Todas fazemos básico egípcios, tremidos, oitos… Nesse aspecto é claro que será parecido! Há quem espere movimentos de impacto e coisas mirabolantes, mas sabemos que isso é uma questão de escolha. Não é essencial. Então não nos obrigue a ficar inventando coisas apenas para dizer que somos diferentes. Uma dança honesta não precisa de firulas… Então, danças parecidas podem muito bem serem danças ótimas. Aí você pode lembrar-se das grandes bailarinas, as que são referências mundiais, que têm um jeito de dançar todo próprio e muito discrepante das outras. Sim, elas existem! Mas são parte de uma minoria bem restrita. São aquelas bailarinas geniais e incríveis que costumam até servir de inspiração para gerações inteiras. Ah que maravilha! Mas estão longe de ser a regra. E claro que não desqualificam aquelas outras bailarinas que também possuem sua genialidade. Cá para nós, um dia elas também dançaram como as outras. Todas temos que aprender de alguma forma e ninguém nos ensina já nos dizendo o caminho das pedras. Cada bailarina é que encontra o seu. Então usar uma mínima porcentagem como padrão de exigência para ficar pressionando as outras bailarinas, no meu ver, não pode ser algo sensato. Algumas bailarinas possuem diferenças mais evidentes e outras mais sutis. E isso depende de um caminho inteiro de dança… Exigir que todas elas sejam completamente diferentes, além de ser uma rigidez descabida é também uma maneira de padronizá-las. Ninguém está falando de “nivelar por baixo”. Tenho vinte anos de dedicação por essa dança. Nunca economizei esforços. Nunca me deixei acomodar. Posso dizer isso sem o menor medo de ser mal interpretada. Sem o menor medo de acharem que quero proteger as pessoas que não se dedicam e querem se dar bem. Não. Estou falando das pessoas que levam a sério. Elas não merecem ficar sendo comparadas e com isso pressionadas. Simplesmente porque estão fazendo o seu trabalho digna e arduamente. O caminho não é fácil. Talvez se essas pessoas já tivessem passado por isso conheceriam esse lado. Sou a favor da busca por sua identidade na dança, mas sem essa pressão de ser diferente. Talvez a identidade da bailarina esteja nas pequeninices… nas sutilezas… Outra aspecto é o de que ninguém consegue dançar igual a outra pessoa. E olha que muita gente tenta! Quando tenta-se copiar um movimento, por mais que treinamos arduamente fazê-lo de uma maneira bem específica, ele é incorporado e processado dentro do nosso corpo que acaba o reproduzindo à sua forma. É possível dançar parecido, mas nunca igual. Talvez se essas pessoas já tivessem se sujeitado à dançar saberiam disso. Ou talvez não tenham sensibilidade para enxergar tal sutileza. Mas digamos que a bailarina gostaria de dançar de uma maneira bem diferente das outras e quisesse ir em busca disso. Essa frase em questão me faz pensar se essas pessoas que a dizem acham que é fácil alcançá-la. Tenho a impressão de elas acham que é preciso apenas a bailarina matricular-se nos workshops de movimentos impactantes, ou sequências criativas, ou 1001 deslocamento mirabolantes para enriquecer sua dança ou sei lá o que, treinar em casa e pronto! Lá está nossa bailarina diferente! Ou pior, acham que é preciso apenas alguém ficar falando isso “na orelha dela” para ela que ela mude. Infelizmente não é bem assim… talvez se essa pessoa conhecesse mais sobre aprender a dançar… Aprender um novo movimento qualquer, mesmo que com um treinamento técnico intenso, não é apropriar-se dele (o que dirá se for aprendido num fugaz work…). Apropriar-se de um movimento às vezes requer tempo. Amadurecimento. E muitos outros aspectos. Procure uma boa professora que ela lhe ensinará tais questões. Se para incorporarmos um único movimento podemos demorar meses, imagine para mudarmos nossa dança… Pode levar muito tempo… E não porque a bailarina é lenta. É simplesmente porque é assim. A dança é um movimento que vai muito além de passos técnicos. Às vezes é preciso mudanças dentro de nós. E não estou querendo levar a dança para o lado da terapia…. às vezes essas mudanças são arrasadoras. Já ouviu dizer que muitos atletas não têm saúde? Praticar esporte pode ser saudável, mas talvez não para um atleta. Não pensem que profissionalizar-se como dançarina do ventre lhe trará equilíbrio e bem estar. Pode não ser verdade. Alunas que buscam essa dança com esse objetivo podem o tê-lo sim. Mas não necessariamente para as profissionais. Outra curiosidade que pessoas despreparadas podem não saber é que quando uma dança está em transformação ela pode perder a forma. É como se acontecesse uma desconstrução para que a nova dança possa encontrar espaço para renovar-se, numa explicação bem simplificada. Isso quer dizer que se a dança de uma bailarina não estiver no seu melhor momento, isso pode significar uma bela surpresa no futuro. Um momento que pode servir de alvo de criticas de pessoas despreparadas, pode ser fundamental para o crescimento da bailarina. E poderia ficar aqui dizendo mil motivos para nós bailarinas de verdade não nos preocuparmos com essa frase. Se ela vem de um profissional sensato e DA DANÇA (e digo mais: que dança!), podemos levá-la em conta e avaliarmos SE queremos fazer alguma coisa sobre isso ou não. Mas você que já ouviu essa frase, alguma vez a ouviu de um profissional como esse? Se ela vier de outras pessoas, podemos levar em conta ou não, mas sempre tomando cuidado para não sermos alvo do gosto do público (cada um tem seu gosto) ou de manobras comerciais, já que bailarinas com muitos diferenciais são mais vendáveis. O público tem todo o direito de não gostar da sua dança, achar igual, isso e aquilo. Público tem opinião pessoal, não técnica. Assim como temos o direito de escolhermos depender da opinião da maioria das pessoas ou não. Até porque a atitude de tentar a todo tempo mudar sua dança para poder agradar a todos não é bem uma atitude que podemos chamar de autêntica, né?! É por isso que temos que desenvolver nosso senso crítico na dança. Bailarinas sem senso crítico viram “massa de manobra” assim como todo cidadão que é enganado pela política, nem sabe e não entende porque não se sente feliz. Lembre-se, estamos numa cultura capitalista. É preciso distinguirmos as criticas sensatas das convenientes. Tento dedicadamente fazer a minha parte, porque pra cima de mim, não! Nesrine B. ]]>